Tuesday, February 21, 2006

Conversa Fiada


Um livro corajosamente nordestino.
Este, o juízo que poderia resumir a impressão
que nos fica da leitura de Conversa Fiada,
com que Teoberto Landim se inicia
na arte da ficção.
Pode parecer uma ousadia
assumir um regionalismo sem meias-palavras
numa época de Xuxas, E.Ts, Ultra Lights
e pneus que falam a língua do aço.
Pode parecer uma grande ousadia
falar literariamente a gostosa, vogalizada,
redonda fala cearense,
num período em que a crítica
adota um comportamento quase inquisitorial
em relação à dicção regionalista.]
Pode parecer uma enorme ousadia
um filho da PUC (mano velho,Teo?)
escrever um texto simples, corredio, conversas fiadas como teias do imaginário
do nordeste.
Pois, bem: ficção ou realidade, há esse nordeste
que, se por um lado já assimila aquele marketing
pedantemente urbano,
continua, pelo outro, curtindo sua tristeza multissecular
e enfrentando secas e pró-consultas eleitorais
e delegados venais
e conversas desanimadas nos alpendres da pobreza
e produzindo santas raparigas, bêbados maravilhosos,
padres lúbricos.
"Right or wrong my country", como afirmava o famoso
conde ufanista?
Não.
Simplesmente o trabalho artísitco
sobre arquétipos locais
do inconsciente coletivo:
Que nem diria Jung
Que nem faz Teoberto
na sua paciente fiação
( Não lhe falte crédito)

Prof. Tarcísio Gurgel.

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