Tuesday, February 21, 2006

Busca (romance0

O prazer da leitura que o texto de "Busca" é capaz de proporcionar, mesmo ao crítico mais exigente, é o que importa. Seja pela estruturação (moderna? pós-moderna?) que oscila entre o passado e o presente, o popular e o culto, o "mestrandês" acadêmico e o pitoresco regional, seja por jamais se afirmar com uma síntese de pólos opostos, mas, por sua própria dinâmica, ora pender para um, ora para outro, em Busca não há mescla, há um Narrador que, sem privilegiar nenhuma das atitudes, constrói seu discurso anonimamente, quase como se resguardando das consequências que a opção lhe traria. Mas que, no processo da esquivança, vai dividindo com o leitor uma série de experiências que, ao mesmo tempo que resgatam uma espécie de inconsciente coletivo, mítico, ancestral, são de uma contunddente atualidade, ao trazer todas as pequenas misérias e tragédias do cotidiano do brasileiro de hoje, transpostas para o plano literário através de uma linguagem que é capaz de proporcionar o prazer ao leitor.

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