Thursday, March 02, 2006

Musa

Deusa de ébano colorida
esplendor do mistério criador.
As luzentes esmeraldas dos teus olhos
refletem a fantasia de mulher,
de alma embranquecida.
Já não sinto a verdade,
nos teus olhos esclarecida,
pois, ser deusa e mulher
num corpo só,
atormenta o sonho
do poeta:
desejo-te, mulher
de carne e osso,
perder-me nas rochas
do teu corpo,
jorrar o mel
que te fascinas,
banhar-te de uma só vez
a fantasia,
escorrendo em gotas
pelo rosto.
Mas sei, que sendo deusa,
e eu pecador...
de pensamentos nem sempre
angelicais,
ofereço-te o meu tormento,
o amor que confesso
ao travesseiro,
em troca do meu sonho acalentat.

Tuesday, February 21, 2006

Seca: a estação do inferno

"Seca: a estação do inferno" é um estudo dos romances que tematizam a seca, uma análise que funde texto e contexto numa "interpretação dialéticamente integra" Teoberto Landim não adota uma visão isolada, entende que seu objetivo específico é a obra literária, daí porque o texto é matéria prima no seu trabalho crítico. Neste livro, Teoberto Landim se caracteriza e se afirma como pesquisador, demonstrando transitar com eficiencia nos diversos campos do saber quando aborda questões de literatura, como ensaista, ressaltamos seus conhecimentos teóricos; como professor, este livro representa a experiência de muitos anos de atividades em sala de aula. Escrito numa linguagem clara e compreensível, tudo leva a afirmar que, como crítico vê a literatura como pensamento, como forma de refletir o homem e o mundo em suas permanentes mutações. Em seus ensaios, a relação da literatura com outras disciplinas tem orquestrado e dinamizado este tipo de reflexão crítica, fazendo do autor um intelectual conceituado e admirado por seus colegas e alunos. Esta é a 2a. edição.

Idéia, pra que te quero


Este livro reúne palestras e artigos sobre variados temas da literatura brasileira. Divide-se em duas partes. Na primeira são abordados alguns poetas, individualmente, respeitando as especificidades de cada um. Gregório de Matos, Gerardo Mello Mourão, José Alcides Pinto e Carlos Augusto Viana. Na segunda, o autor se voltou para os ficcionistas (romancistas, contistas e cronistas) em períodos distintos da historiografia literária.
"Idéia, pra que te quero" investiga as relações com os aspectos socio-históricos, desenhando um painel amplo de nossa cultura contemporânea. Através de uma análise rigorosa foi possível ao ensaista extrair as linhas do pensamento, e os aspectos inovadores, assinalando os pontos críticos da concepção e da abordagem da obra literária, principalmente, quando,hoje, epistemologicamente, não se pode negar as diversas manifestações do movimento pós-moderno, mesmo que este assunto ainda seja polêmico. Este livro é de essencial importância para a compreensão da literatura, do seu modo de ver e representar o mundo e ao mesmo tempo é um exitoso questionamento acerca dos problemas da arte e da cultura enraizada na formação do Brasil.

A próxima estação

Este romance de Teoberto Landim é uma narrativa que elabora Thomas protagonista, e insere toda uma caracteristica de pensamento e percepção urbana para si, e sobre a própria literatura nesse novo tempo. Teoberto inscreve sua palavra na modelagem não modelar do que seria chamado de narrativa pós-moderna; ou de coisa nenhuma. O que mais uma vez reúne alternativa para o escritor: processo, possibilidade, fazer; que é o que parece interessar. Thomas é uma personagem destas expostas, desnarradas em fragmentação e que se antepõe a um narrador que também está exposto, e posto, para devorar, com capacidade onívora, as entranhas do leitor e jogá-lo ao limbo. Um desamor, um disfarce, uma melancolia de outra ordem, uma brasilidade inequestionável, mas sem precisar estabelecer lugar nenhum para acontecer. Porque a brasilidade de Thomas explode em plena Alemanha, na cidade de Colônia, pré-derrubada do muro de Berlin. E depois Thomas espalha-se, faz de tudo em qualquer lugar, está onde lhe é possível estar e existir. É um romance extremamente contemporâneo, vale a pena ler.

Busca (romance0

O prazer da leitura que o texto de "Busca" é capaz de proporcionar, mesmo ao crítico mais exigente, é o que importa. Seja pela estruturação (moderna? pós-moderna?) que oscila entre o passado e o presente, o popular e o culto, o "mestrandês" acadêmico e o pitoresco regional, seja por jamais se afirmar com uma síntese de pólos opostos, mas, por sua própria dinâmica, ora pender para um, ora para outro, em Busca não há mescla, há um Narrador que, sem privilegiar nenhuma das atitudes, constrói seu discurso anonimamente, quase como se resguardando das consequências que a opção lhe traria. Mas que, no processo da esquivança, vai dividindo com o leitor uma série de experiências que, ao mesmo tempo que resgatam uma espécie de inconsciente coletivo, mítico, ancestral, são de uma contunddente atualidade, ao trazer todas as pequenas misérias e tragédias do cotidiano do brasileiro de hoje, transpostas para o plano literário através de uma linguagem que é capaz de proporcionar o prazer ao leitor.

Trocando em miúdos


Este livro não pretende ser normativo nem pedagógico. Mas defende um ponto de vista sobre as diversas formas de se estudar a literatura. Apoia-se, pois, num certo números de idéias e de trabalhos realizados. Aspira, antes de tudo, a ser, ao mesmo tempo que uma reunião de ensaios que apontam para questões fundamentais, uma iniciação a um conjunto de noções e de problemas antes só tratados no âmbito da filosofia.
Oito ensaios compõem este livro: o primeiro, "Trocando em miúdos" que dá nome ao livro, é um estudo sobre a obra poética de Gregório de Matos, um poeta que viveu à margem do seu tempo e do seu espaço; o segundo, é sobre Jorge de Lima, e aborda um tema entre muitos outros que esta obra ainda pouco estudada sugere, trata-se da Religião. O terceiro, percorre o tema do mar, da ilha, e a busca da transcendência no poeta Artur Eduardo Benevides, que se impõe por sua diversida de expressão lírica comparável aos grandes mestres desta arte. O quarto, chama atenção da poética de Francisco Carvalho, a metáfora obssessiva da esfinge que conduz o leitor como um fio temático que nasce em seu primeiro livro Cristal da memória(1955), até seu Quadrante solar, 1983, Prêmio Nestlê de Literatura. No quinto ensaio análisa-se o conto "O preso", de Moreira Campos, que faz refletir sobre o poder e suas formas de representação. Finalmente, "Conflitos de gerações" procura ver as idéias discutidas, controvertidas de Silvio Romero em sua "História da literatura brasileira". Para chegar a elas o autor examina o pensamento da época, principalmente o da polêmica e inquieta "Escola de Recife". Como se vê, os trabalhos sobre a literatura tomaram, nos últimos tempos, uma amplitude que seria presunção crer que se pode tomar em conta todo o saber atual. Esta é uma visão destes problemas, uma visão parcial e sem dúvida transitória que o autor destes ensaios propõe .

Conversa Fiada


Um livro corajosamente nordestino.
Este, o juízo que poderia resumir a impressão
que nos fica da leitura de Conversa Fiada,
com que Teoberto Landim se inicia
na arte da ficção.
Pode parecer uma ousadia
assumir um regionalismo sem meias-palavras
numa época de Xuxas, E.Ts, Ultra Lights
e pneus que falam a língua do aço.
Pode parecer uma grande ousadia
falar literariamente a gostosa, vogalizada,
redonda fala cearense,
num período em que a crítica
adota um comportamento quase inquisitorial
em relação à dicção regionalista.]
Pode parecer uma enorme ousadia
um filho da PUC (mano velho,Teo?)
escrever um texto simples, corredio, conversas fiadas como teias do imaginário
do nordeste.
Pois, bem: ficção ou realidade, há esse nordeste
que, se por um lado já assimila aquele marketing
pedantemente urbano,
continua, pelo outro, curtindo sua tristeza multissecular
e enfrentando secas e pró-consultas eleitorais
e delegados venais
e conversas desanimadas nos alpendres da pobreza
e produzindo santas raparigas, bêbados maravilhosos,
padres lúbricos.
"Right or wrong my country", como afirmava o famoso
conde ufanista?
Não.
Simplesmente o trabalho artísitco
sobre arquétipos locais
do inconsciente coletivo:
Que nem diria Jung
Que nem faz Teoberto
na sua paciente fiação
( Não lhe falte crédito)

Prof. Tarcísio Gurgel.

Sunday, February 19, 2006

PEQUENA BIOGRAFIA DE TEOBERTO LANDIM



Sebastião TEOBERTO Mourão LANDIM nasceu em 02 de março de 1943. Filho de Francisco Furtado Landim e de Heleônidas Mourão Landim, costuma dizer que seus pais e os irmãos são cearenses, e ele, por um acidente de percurso nasceu em PIO IX, no Piauí, mas se considera cearense, por aqui ter chegado com seis meses de idade, e ao Ceará dever toda a sua formação.
Os dez primeiros anos viveu em Ararendá, no sopé da Serra da Ibiapaba, clã dos Mourões e núcleo dos familiares materno. No início dos anos de 1950 a família se transfere para a cidade de Crateús, onde Teoberto Landim e os irmãos foram matriculados no Instituo Santa Inês, escola de Ensino Básico e Fundamental, dirigida pela legendária professora Francisca de Araújo Rosa, respeitada educadora nos tempos da palmatória. Ficou apenas dois anos em Crateús, sendo logo encaminhado por seu padrinho, Pe. Francisco Soares Leitão, vigário de Nova-Russas, para o Seminário Diocesano São José, de Sobral, com bolsa de estudo doada pela diocese de Niterói, do Rio de Janeiro. No seminário interessou-se pelos estudos clássicos. Cinco anos depois descobriu que não tinha vocação para o sacerdócio, e, contrariando a vontade dos pais, deixou a batina em 08 de dezembro de 1960. Como os estudos feitos no Seminário não eram equivalentes aos dos colégios leigos, matriculou-se no Colégio Estadual Liceu do Ceará depois de exames de adaptação. Concluiu o Ensino Médio em 1963 e no ano seguinte fez os preparatórios, ingressando em 1965 no Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará. Licenciou-se em Letras Vernáculas e respectivas literaturas em 1968, período crítico da ditadura, que não permitiu a colação de grau coletiva, tendo esta sido feita na própria secretaria da Faculdade. Desde 1965 que Teoberto Landim exerce o magistério lecionando em vários colégios de Fortaleza, entre os quais o Colégio Arminda de Araújo, onde começou, e nos Colégios, Santo Inácio, Santa Cecília, Júlia Jorge, Imaculada Conceição. Além de professor foi diretor dos Colégios Demócrito Rocha e João Pontes, ambos da CNEC e do Colégio Equipe – pré-vestibular.

Ingressou no magistério superior como professor de literatura brasileira do Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará em março de1977, e, em abril de 1995, faz concurso para a classe de Professor Titular de literatura brasileira da mesma Universidade, onde permanece até hoje.
Em 1980 Teoberto Landim foi cursar o mestrado em Letras na PUC/RJ, concluindo em junho de 1983, e logo em seguida ingressa no Curso de doutorado em Letras na mesma Instituição. Concluídos os créditos, ganhou bolsa do DAAD da Alemanha onde deu continuidade aos seus estudos na Universidade de Colônia, concluindo sua tese de doutorado e defendendo-a em 1989. A partir de então, suas relações com a Universidade de Colônia lhe valeram vários convites para retornar, ora como Professor Visitante, ministrando curso de literatura e cultura brasileira, ora como Professor Pesquisador, com a colaboração dos Professores Helmut Feldmann, e atualmente com o Professor Claudius Armsbruster, diretor do Instituto de Estudos Luso-Brasileiro, daquela Universidade.
No setor administrativo da UFC, Teoberto Landim foi, por várias vezes, chefe do Departamento de Literatura e Coordenador do Curso de Mestrado em Letras, onde orientou muitas dissertações de mestrado. Foi também Diretor da Faculdade de Letras da UVA, em Sobral, por quatro anos.
Atualmente o escritor e professor se dedica ao ensino de graduação e à pesquisa acadêmica, o que lhe têm rendido muitas publicações: Conversa fiada – 1983; Tocando em miúdos – 1984; Busca – 1985; Literatura sem fronteiras – 1990; Seca: a estação do inferno – 1992; Colheita tropical – 2000; A próxima estação – 2002; Escritos do cotidiano – 2003; Idéia, pra que te quero 2004; Seca: a estação do inferno – 2a. ed. 2006, além de artigos publicados em jornais e revistas especializados.
Em 1990 Teoberto Landim foi eleito membro da Academia Cearense de Letras, titular da cadeira nº 37, cujo patrono é Tomás Lopes.


Fortalexa, 18 de fevereiro de 2006.

Saturday, February 18, 2006

poesia

Escrevo minhas
lágrimas
nas entrelinhas
dos meus dias turvos.

Escrevo sobre a margem
dezenas de gotas
que lavram minhas
brancas páginas.

Escrevo em roda-pé
minhas trevas de passagem.

Escrevo para você
linda sereia
na seda areia,
porque noutro lugar
a aranha tece teia.

Fotografia

Eu vi transbordar
de teu olhar
o verde cristalino
do Algarve,
as velas ao vento
do Faro.
Embarquei solitário
e ancorei nas rochas
do teu corpo,
sem propósito de ficar.
Somei sóis e luas
na saudade cinza
do verão.
Descobri na sombra
dos teus cabelos
a falta que me fez
e ainda faz.
Hoje, sou quem sou...
entre o carnaval e a quaresma,
fotografia exposta na parede,
onde visões marinhas tingem
de oceano os teus olhos
na imagem congelada
no papel.

identidade

O santo do Meu nome me vela
Contra guerra e contra a peste.
O segundo não é nome de santo
Mais de Deus, que brilha no radical
Sem nome da Familia
Como encontrar meu DNA?
Mesmo assim descobri a raiz materna
Fincada no sopé da Serra Grande,
e, no Brejo dos Santos,
os olhos azuis do meu Pai.

Cabeça ao vento

Ávido pela vida
esqueci de corpo e alma
as ilusões do porvir.
Depois,
a realidade me ensinou
que o futuro não era
do jeito que sonhei.
Foi quando descobri
a nostalgia...
ou o amor é apenas
um signo do zodíaco?
Nunca mais provoquei
o destino...
Sufoquei a sua
lembrança...
Falo sozinho diante do espelho
na ilusão de saber quem sou, apenas,
um voyeur de fantasma,
um encenador de visões
nem sempre angelicais?
Escrito por as.landim às 18h13[ (1) Apenas 1 comentário] [ envie esta mensagem ]

sublimação

Meus sonhos
são imagens imperfeitas,
que se desmancham no ar.
São pensamentos
vazios da lógica
dos mortais.
São fantasias em sequência,
às quais me entrego
inconsciente.
São coisas vãs,
desejos absurdos,
quimeras
sem fundamentos.
No sono... o sonho.
Mais ficção,
verdade partida ao meio.